Pequenos apontamentos sobre um Grande Prêmio e dois craques | Jockey Club Brasileiro

Pequenos apontamentos sobre um Grande Prêmio e dois craques

O mês de junho chega ao fim e, com ele, o nosso chamado ano hípico.

O momento maior, em termos de programação, foi o GP Jockey Club Brasileiro (G1), o Criterium dos Dois Anos. Uma das provas mais tradicionais de nosso calendário, corrida desde a fundação do JCB, em 1933, este GP passou por diversas etapas sempre com a sua importância garantida (fora um par de anos recente, em que  chegou a sumir de nosso calendário).

A qualidade de seus ganhadores, por exemplo, quando corrido em 3.200m e terceira prova da então temporada internacional do JCB, é exemplar. Nomes de corredores da qualidade de um Albatroz (Trinidad e Myrthée, por Mesilim), bicampeão do GP Brasil, de um Heron (Formastérus e Tacy, por Tomy), magnífico segundo para seu companheiro de criação e propriedade, Heliaco (Formastérus e Saphinha, por Trinidad), no primeiro Brasil deste, de um tríplice coroado e ganhador do GP São Paulo como Quiproquó (The Phoenix e Blue Grass, por Papyrus),  de um Adil  (Epigram e Candid Lover, por Casanova),  tricampeão do São Paulo, derby-winner paulista e terceiro no GP Carlos Pellegrini vencido pelo maravilhoso Manganga (Gulf Stream em Margarita, por Full Sail), de um Vândalo (Prosper e Roussette, por Bois Roussell), derby-winner paulista, de um Escorial (Foto 1), o filho de Orsenigo e Escoa, por British Empire que se sagrou tríplice coroado carioca e, em San Isidro, desbravando as pistas internacionais para o nosso élévage, os GGPP Carlos Pellegrini e Internacional 25 de Mayo del Sesquicentenario, entre outros, mostram o que ele então representava.

Com o fim da temporada internacional carioca e a ida da capital da república para Brasília, ele passou a ser o St. Leger carioca (logo a terceira etapa de nossa tríplice coroa), em três mil metros, no lugar do antigo GP Distrito Federal. E a sua história continuou brilhante. Foi vencido por duas éguas excepcionais, como Embuche (Le Haar e  Emoción, por Orsenigo), Oaks winner paulista de sua geração, além de campeã do Prix Vermeille paulista, GP José Guatemozin Nogueira, e do Brasil das éguas, então GP Marciano de Aguiar Moreira, e do SP das éguas, GP OSAF,  e Elamiur (Xaveco e Vera Cruz, por Pharas), Oaks e derby winner carioca em 1970. E serviu de consagração para três tríplice coroados: African Boy (Foto 2), um Felicio em Intime Amie, por Maki, em 1979, Old Master (Sabinus e Ice Queen, por Bonnard II), em 1984, e o lendário e invicto Itajara (Felicio e Apple Honey, por Falkland), em 1987.

Com a reforma da tríplice coroa em 1994, ele passou a ser a segunda prova da mesma (uma espécie de Prix Lupin carioca), em 2.000m. E, nesta fase (que foi até 2003), viu dois de seus ganhadores  se tornarem tríplice coroados após suas vitórias no Derby, os 2.400m do GP Cruzeiro do Sul (G1): Groove (Emmson e Boa Moça, por Breeder’s Dream) e Super Power (Roi Normand e Joy Valley, por Ghadeer).

Depois foi meio maltratado passando a ser corrido em pistas e distâncias diversas até sumir de nosso calendário e reaparecer, em 2010, como o atual Criterium de Dois Anos e terceita etapa da Copa dos Dois Anos, carioca, obviamente prova de G1, sendo a sua primeira ganhadora  (Foto 3) Desejada Duda (Gilded Time e Duda Desejada, por Punk), uma verdadeira tríplice coroada porque ganhadora das três etapas que formam a Copa.

Junho, também além de Provas Especiais já corridas (como a Helíaco e a Pharas) e Listeds (como a Escorial, a Riboletta e, agora, no próximo sábado, a Itajara), serviu para as primeiras versões de duas provas especiais homenageando dois craques que não podem ser esquecidos. Pela primeira vez, houve a PE Hyperio, uma das jóias maiores da criação Capua, filho de Amphis e Zabaglione, por Nearco, campeão de um maravilhso GP Outono, os 2ooo Guinéus de sua época, suplantanto, quase em record, o brilhante Xasco (Coaraze e Rinha, por Blue Baron), segundo tanto no GP Derby Sulamericano para o fenomenal Farwell (Burpham e Marilu, por Wood Note), quanto no GP Cruzeiro do Sul, para Zuido (Swallow Tail e Nuvem, por King Salmon). Na reprodução, legou-nos o notável reprodutor (para muitos, entre os que atuaram aqui no Brasil, formando o trio maior de nossos garanhões, ao lado de Zenabre e Pharas), Sabinus (e Truite, por Delirium), também defensor das cores da família Capua (para quem ganhou o GP Cruzeiro do Sul, o Derby, em 1968), e pai, entre muitos belos corredores clássicos,  de um tríplice coroado (o citado Old Master) e de um ganhador de GP Brasil, Daião (e Darsena, por Polyway), em feito notável.

Também, pela vez primeira, foi corrida a PE Lohengrin, um dos grandes nomes da notável geração liderada por seu companheiro de criação e propriedade, o acima mencionado Escorial, e que tinha também Xaveco (Sayani e Roussette, por Bois Roussel), Estensoro (Estoc e Perfidia, por Nino), Caucaso (Orsenigo e Cantata, por Ruler), Clareira (Cadir e Caçamba, por Selim Hassan), Derah (Minotauro e Marsa, por Seventh Wonder), Emocion (Orsenigo e Empeñosa, por Full Sail, e, sobretudo, o brilhantíssimo Gaudeamus (Violoncelle e Gambia, por Maranta).

Lohengrin era um filho de Orsenigo na craque Loretta, por Hunter’s Moon. Venceu provas nobres (que hoje seriam grupadas), dos 1.400m aos 2.400m. Curiosamente, correu o citado GP Jockey Club Brasileiro levantado por Escorial, em 3.200m, onde foi segundo. De suas carreiras, duas ficam na memória de quem as viu, uma vitória e um segundo. A vitória foi nos 2.400m do GP Dezesseis de Julho, em 1959, quando bateu o record sulamericano e brasileiro da distância, 145 1/5, como assim era denominado à época (e que, nacionalmente, só veio a ser igualado em 1976 pelo argentino Janus II, Pardallo e Caliope, por Cardanil, no GP Brasil, G1). O segundo, longe do ganhador, o mesmo mencionado Escorial, foi no GP Cruzeiro do Sul, o Derby também de 1959, quando, em notável duelo a partir dos 1.600m, cabeça com cabeça, superou o craque Gaudeamus em cima do disco. Um final arrepiante entre os dois.

Da Gerência de Turfe

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