Milton Lodi – Meeting Marcos Ribas | Jockey Club Brasileiro

Milton Lodi – Meeting Marcos Ribas

   Foi o primeiro meeting a ser corrido depois que Marcos Araújo Ribas de Faria, nos deixou. Ele criou uma especial programação turfística, após anos e anos em que o JCB tinha umas poucas provas que servem de trampolim para semanas de grandes eventos. Para a semana de 13, 14,15 e 16 de maio de 2016, uma série de provas nobres enfeitaram a programação, Provas Clássicas e Grandes Prêmios, além de provas destinadas aos potros e em separado às potrancas da nova geração, no caso chamadas na Gávea de “Criterium” e em Cidade Jardim de “Seleção”. Como particularidade, quando o G.P. Brasil era disputado no primeiro domingo de agosto, a preparatória do páreo principal da festiva programação era o G.P 16 de julho, e o consolação o G.P Dr. Frontin, mas com a definitiva antecipação do G.P Brasil para o 1º semestre, esse ano para o domingo 12 de junho, houve uma inversão, o Dr. Frontin passou a páreo preparatório e o 16 de julho, o consolação.

No Dr. Frontin de 2016, naturalmente correram cavalos radicados no turfe brasileiro, todos nacionais menos um, um norte-americano adquirido nos Estados Unidos quando da compra da égua cheia. Embora nascido nos Estados Unidos, veio para o Brasil ao pé da mãe, que veio cheia de novo. Esse cavalo foi criado, e bem criado, no Haras Santa Rita da Serra, no Paraná, e é de propriedade em sociedade do Santa Rita e do Stud Correas. Cavalo clássico, bom padrão, mas que tem que ser bem corrido, pois pesando cerca de 540 kgs, tem um volume físico muito grande, é corpulento, e não pode ser corrido para eventuais partidas, não tem pique para isso, tem que acompanhar o desenrolar do páreo de perto. No Dr. Frontin, o centro das apresentações era a extraordinária potranca de 3 anos Daffy Girl, de criação e propriedade do múltiplas vezes campeão Haras Santa Maria de Araras, invicta inclusive já tendo vencido o Diana paulista, o Diana carioca, derrotando os machos de sua geração com total autoridade e o Derby carioca. Dos competidores, daqueles que pretendem ganhar o G.P Brasil, não estavam Some in Tieme, também da criação Araras, mas vendido, ganhador do recente Latino, que vai direto para o G.P Brasil o 2º colocado no Latino, Daniel Boone, criação e propriedade do Araras, não inscrito por grave lesão em um anterior, e o 3º colocado Universal Law, que 15 dias antes havia ido a Cidade Jardim para vencer o G.P São Paulo. Universal Law é de criação do Haras Cruz de Pedra e de propriedade do Haras Regina. O que se imaginava sob o ponto de vista técnico, racional, tendo em vista a presença do pretensioso cavalo norte-americano, era que ele procurasse acompanhar de perto a excelente Daffy Girl, aparentemente força do páreo, e ainda presente no páreo uma parelha, o que insinuava dizer que um da parelha deveria procurar incomodar a grande e merecida favorita. Mas não foi o que aconteceu. O único jóquei que correu a preceito foi o da favorita, que desde a largada foi para a ponta, partindo do lógico princípio que o melhor tem que mandar no páreo, imprimir um ritmo que lhe seja conveniente, obrigando os adversários a submeterem as suas aptidões, os seus limites, à força maior. Daffy Girl Chegada (4)Daffy Girl(foto) assumiu a liderança e imprimiu um ritmo suave, naturalmente aguardando que o norte-americano e um da parelha viessem a tentar lhe incomodar. Mas surpreendentemente, ninguém foi tentar aborrecer a ótima potranca, os seus pseudos adversários correram colocados mas apenas isso, deixaram o ritmo por conta da grande campeã e contentando-se a acompanhá-la, evidentemente com medo de na reta final perderem uma boa colocação. Na reta, quase todos os competidores estavam em boas condições para uma luta que não existiu pois Daffy Girl estava também muito bem e ainda na frente do pelotão, isto é, tinha corrido em ritmo confortável sem ser incomodada e ainda virava para a última reta final com vantagem na frente. O jóquei vencedor já virou a última reta vencedor, dadas às circunstancias era o único jóquei do páreo a correr direito. Nota dez para V.Gil, nota zero para os condutores dos pretensos melhores adversários. Tenho certeza de que, se os jóqueis que mereceram nota zero, tivessem sido substituídos por Alex Mota, Carlos Lavor, ou quem sabe mesmo por esse da nova geração vindo da Escola de Jóqueis do JCB, o futuroso e já bom ganhador Weslley Mateus da Silva Cardoso, o W.S Cardoso, o páreo teria sido diferente, Daffy Girl provavelmente ganharia de qualquer forma com talvez e possivelmente o melhor corredor em atividades em nosso país, mas o bom V.Gil não teria a mesma boa vida que os jóqueis nota zero lhe proporcionaram. Não estou dizendo que eles sejam maus jóqueis, o que quero dizer é que naquele páreo mostraram-se muito inábeis. Transformaram um páreo de 2.400 metros em um de 600, esperaram a última reta, que foi rápida, e Daffy Girl, que estava preparada para correr 2.400 metros, não ganhou longe, os que vieram de trás, talvez mais ligeiros do que ela, chegaram perto daquela que é a atração maior do G.P Brasil de 12 de junho de 2016. Divagando um pouco, se Daffy Girl tivesse sido pilotada pelos ótimos chilenos Francisco Irigoyen ou Luiz Diaz, provavelmente Daffy Girl não teria sido corrida em ritmo que resultou em 149 ½ para os 2.400 metros em pista não boa para o tempo, tempo para o qual os outros competidores mostraram-se habilitados, trazendo Daffy Girl para “148” para menos que isso, no final, com certeza Daffy Girl teria alguns corpos de vantagem, bastaria para isso que após assumir a ponta, acelerasse um pouco mais, o que para ela seria fácil, livrando uns 5 ou mais corpos na frente, com um ritmo lento, todos os cavalos do páreo, ou quase todos chegariam por volta dos 149 ½ , mais em 148 ou menos, nenhum se aproximaria sequer de Daffy Girl, também a se considerar se Daffy Girl já estava bem preparada ou ainda em fase de melhoria nos treinamentos, o que importa é que Daffy Girl mostrou-se a melhor.

               No preparatório para os 1.000 metros do G.P Major Suckow foi corrido o G.P Cordeiro da Graça que foi vencido por Desejado Magee filho de Elusive Quality em filha de Spend a Buck, de criação do Stud Alvarenga e propriedade de Edson Alexandre e de L.A Danielien. Treinado por R.X. Silva e montado por M.S. Machado. O G.P. Conde de Herzberg, em 1.500 metros para potros de 2 anos o Criterium dos machos foi vencido por English Major filho de Put it Back em filha de Ghadeer, da criação Araras, propriedade de Black Opal Stud, treinado por Roberto Solanes e montado por A.M. Souza. O G.P. Gervasio Seabra era a prova preparatória para a milha internacional do dia do Brasil foi vencido por Invader, filho de Red Rock Canyon em filha de Know Heighs, de criação do Haras Las Madres e propriedade Stud Estrelinha, treinado por R. Solanes e montado por A.M. Souza.  No G.P. Francisco Vilela de Paula Machado o Criterium das potrancas de 2 anos venceu Etapa Vencida, uma filha de Wild Event em filha de De Quest, criação do líder Araras e propriedade do paulista Stud Verde. O treinador foi Luiz Esteves, e pilotado por H.Fernandes. Etapa Vencida chegou há 3 vitórias e 1 segundo lugar na estréia, em 4 apresentações. A segunda colocada foi uma filha de Drosselmeyer. O G.P. Derby Club em 3.000 metros, em reta renhida o vencedor foi Diligente, um filho de Wild Event em filha de Northern Afleet, de criação do Araras e propriedade do Stud Globo. O treinador é Dulcino Guignoni, um excelente preparador de cavalos para provas de fundo em especial, o jóquei foi o excelente W.S. Cardoso, jóquei novo e de futuro brilhante. Outro páreo importante do sábado foi a Prova Especial Extraordinária Marcos Ribas, o expert número 1 de nosso país que há pouco nos deixou. Essa prova, uma merecida homenagem a um turfista de primeira grandeza, foi em 1.500 metros na areia, para produtos de 3 ou mais anos. O vencedor foi Disco Flyer, um filho de Wild Event em filha de Ghadeer, de criação do líder Araras e propriedade do Stud Eternamente Rio. O treinador foi Luiz Esteves e o jóquei B. Reis. O cavalo ganhador correu 12 vezes e essa foi a 5ª vitória. O G.P. Henrique de Toledo Lara, em 2.000, uma preparatória para o G.P. Roberto e Nelson G. Seabra, para éguas de 3 anos ou mais. Saiu vencedora Dutota Desejada, uma filha de First American em filha de Nindiano, de criação do vitorioso Haras São José da Serra, pilotada por Waldomiro Blandi. Na segunda-feira dia 16, foi disputada a última prova nobre do meeting, o Clássico Much Better em 2.100 na areia, preparatório para o Delegações Turfísticas. O vencedor foi Sixteen Tons filho de Pioneering em filha de Sweet Mind de criação do habitual vencedor Haras São José da Serra, treinado por um dos habituais das estatísticas Dulcino Guignoni e montado por essa grande promessa que já é em principio de uma ótima realidade chamado W.S. Cardoso, que foi um dos fatores decisivos de uma linda vitória.

               Esse foi, em resumo o que se poderia dizer dos principais acontecimentos e resultados do excelente meeting preparatório para a semana do G.P. Brasil preparado pelo saudoso Marcos Ribas.

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