A Liderança Mundial de Jóqueis (Milton Lodi) | Jockey Club Brasileiro

A Liderança Mundial de Jóqueis (Milton Lodi)

JRicardopost          A vida profissional de Jorge Antonio Ricardo parece merecer um filme. Filho do extraordinário jóquei Antonio Ricardo, com o qual sempre teve a uma íntima ligação, Ricardinho foi um brilhante aluno da Escola de Jóqueis do JCB, e passou de aprendiz a jóquei em 10 meses, feito muito significativo para os regulamentos da época. Eterno líder das estatísticas cariocas, resolveu transferir-se para Buenos Aires, pois lá, com os Hipódromos de Palermo, San Isidro e La Plata oferecendo corridas todos os dias, encontraria, como aconteceu, campo melhor do que no Rio de Janeiro, com muito menos páreos semanais. Na Argentina logo assumiu a liderança das estatísticas, chegando à sua meta maior, que era o de jóquei líder mundial em número de vitórias. O seu maior competidor, o canadense Russel Baze, é radicado em um pequeno clube promotor de corridas na costa oeste dos Estados Unidos, e com alta qualidade profissional ganhava seguidamente. Houve um momento em que Jorge Ricardo assumiu a liderança mundial, sempre seguido de perto pelo canadense. Mas uma perversa doença interrompeu a sua fantástica trajetória, e ele parou de montar por mais de meio ano, para lutar pela própria vida. Quando Ricardinho voltou às pistas, naturalmente Russel Baze havia assumido a liderança mundial. Aí se iniciou uma intensa tentativa, e Jorge Ricardo, montando diariamente, sete dias por semana, dedicou-se à dificílima tarefa de ultrapassar Russel Baze, que então já levava uma grande vantagem. Mas com a persistência que é característica de Ricardinho, a tentativa de alcançar Baze era uma permanente fixação. Mas surgiu um novo problema. Durante um páreo, o cavalo montado pelo Ricardinho perdeu-se nas patas de um competidor. Foram ao chão, cavalo e jóquei, e Jorge Ricardo teve que sofrer uma complicada operação no cotovelo do braço direito. Após o período da natural recuperação, Jorge Ricardo não tinha mais todos os movimentos daquele braço. A grande classe, o total empenho e a integral persistência fizeram com que, mesmo com uma permanente e definitiva limitação, Ricardo voltou a montar, àquela altura com uma grande diferença do excelente jóquei canadense. O resultado daquela saudável competição era imprevisível, mas a grande diferença dava a entender que Ricardo dificilmente iria atingir o seu grande sonho. Já com cerca de 55 anos, não haveria tempo para tirar a diferença. Acontece que Russel Baze é um pouco mais velho que Ricardo, e quando ele beirava os 57 anos, entendeu de se aposentar, rico, prestigiado e coberto de glórias. Renasceram as esperanças de Ricardinho, que continuava montando todos os dias, nunca desistindo de sua meta, a de se aposentar como o jóquei líder mundial por vitórias. Baze terminou a sua brilhantíssima carreira com a estupenda marca de 12.844 vitórias, cerca de 175 vitórias a mais que Ricardo. E a rotina diária vencedora de Jorge Ricardo continuou sem tréguas, com mais de 40 anos de uma profissão vivida diariamente com intensidade, Jorge Ricardo contava, em outubro de 2016 com 127 vitórias a menos que Baze, isto é, já havia descontado aproximadamente 50 vitórias. Quando da parada de Russel Baze, passaram agora para 12.717, isto é, agora estão faltando 127 vitórias para igualar. Pela natural sequência da tenacidade de Jorge Ricardo, tudo leva a crer que em 2017 voltará à liderança mundial de jóqueis em número de vitórias. Tenho a impressão que o amor que Ricardinho tem pela sua profissão vai leva-lo a só encerrar a sua incrível campanha que ele só vai parar de montar quando conseguir atingir a histórica marca de 13.000 vitórias.

 

 

Gostou da notícia? Compartilhe!