Silvestre de Souza, de Santo Antônio do Maranhão para o mundo » Jockey Club Brasileiro -

Silvestre de Souza, de Santo Antônio do Maranhão para o mundo

African Story postAos 32 anos de idade, Silvestre de Souza conduziu African Story (Godolphin) ao triunfo na Dubai World Cup (G1), em 2.000 metros, tapeta, em Mayden Race Course, nos Emirados Árabes. A prova, a de melhor dotação do turfe, com uma bolsa de U$ 10 milhões, fez o brasileiro alcançar no sábado p.p. a maior vitória de sua carreira. Por telefone, o consagrado profissional concedeu uma entrevista ao site do Jockey Club Brasileiro contando um pouco de sua história.

Natural do Maranhão, mais precisamente da cidade de São Francisco do Maranhão, caçula de uma família de dez irmãos, Silvestre começou sua carreira aos 17 anos e fala sobre esse início e o duro caminho para chegar ao sucesso de hoje:

“O começo foi extremamente vitorioso, mas uma queda e uma fratura no braço tornou tudo mais difícil, tanto em São Paulo, aonde estreei, como no Paraná, local em que tentei o recomeço da carreira. Mas, como bom brasileiro eu também não desisto nunca. No final de 2003, quando alguns jóqueis brasileiros estavam transferindo-se para a Irlanda, para serem redeadores, enxerguei uma boa oportunidade tentar a sorte no exterior.”

“Quando cheguei à Irlanda comecei a trabalhar com o treinador Dermot Weld. Todavia, a dificuldade era enorme, pois eu não falava uma palavra em inglês, então a adaptação se mostrou extremamente complicada. Consegui a matrícula de jóquei, mas o Dermot só me prometia as montarias e nunca as dava. Fiquei três anos apenas trabalhando como redeador. Isso me ajudou a crescer como profissional e como homem. Consegui conhecer mais o cavalo desde seu primeiro galope. Só me fez ficar mais determinado e com vontade de vencer. Tenho certeza que esse conhecimento do animal pode me ajudar no futuro se decidr tornar-me treinador”.

Silvestrepost1“Surgiu então a proposta de me transferir para a Inglaterra trabalhar com o “Rei dos Velocistas”, Mr. David Nicholls. Pensei bem e vi que não tinha nada a perder, seria mais uma tentativa, um aprendizado. Graças a Deus tudo deu muito certo e logo comecei a montar e vencer e logo na 1ª temporada conquistei 25 vitórias, na 2ª obtive 45 êxitos e na 3ª, quando disputava a estatística, já com pouco mais de 100 triunfos, um convite começou a mudar o rumo da minha história. O treinador Marc Johnston, da Darley, um dos melhores do mundo, me chamou para montar o Fox Hunt na Melbourne Cup (G1), na Austrália (carreira em que finalizou na sétima colocação). Para decidir o que fazer, disputar a estatística ou participar desta grande prova internacional, pensei que estatística tem todo ano, e a chance de montar um grande cavalo numa prova como a Melbourne Cup é uma coisa única. Acabei perdendo a estatística por quatro vitórias, porém não me arrependo nenhum pouco.”

Sheikhpost1“No final de 2011, Simon Christopher, ex-Racing Manager da Godolphin, farda que posso dizer, sempre admirei e torci por seus cavalos, mesmo antes de trabalhar, me convidou para ir a Dubai e montar alguns cavalos do Sheikh. Logo na 1ª oportunidade ganhei com Songcraft, na única vitória da Godolphin naquele dia. Em fevereiro de 2012 fui contratado e passei a dividir as montarias com Lanfranco Dettori e Mickael Barzalona. Com a saída do Dettori da companhia, comecei a ter mais e melhores oportunidades e tenho tratado de aproveitá-las. O Saeed bin Suroor e o Charlee Appleby são os dois treinadores da Godolphin e sou muito grato a eles pelas ótimas montarias e grandes vitórias. Aliás, entre elas gostaria de destacar além dessa fantástica com African Story, claro, as com Farhh, no Champion Stakes (G1), em Ascot, no Royal Meeting, em 2013 (ver vídeo abaixo), e no Lockinge Stakes (G1), em Newbury, o Prix Roma (G1), na Itália, o 1º que ganhei para a Godolphin , com Hunter’s Light, a Dubai Duty Free (G1), com Sajihaa, e na Dubai Gold Cup (G2), através de Cavalryman.”

“Neste momento, estou na minha casa de campo, com minha esposa e meu filho, perto de Newmarket, descansando. Retornei de Dubai na mesma noite de sábado muito feliz, pois vi a satisfação da equipe, uma vez que o African Point é um animal de criação da Darley. Portanto, brilhou toda a equipe e isso é super gratificante. Na próxima quinta-feira, 03 de abril, volto à ativa no Wolverhampton Race Course e vamos para mais vitórias, com a ajuda de Deus. Aproveito para mandar um abraço a todos que torceram por mim aí no Brasil e dizer que vou seguir sempre nesta luta para representar bem nosso país em todos os hipódromos do mundo.”

por Fernando Lopes – foto:Godolphin.com & Internet

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